

A terceira e última edição do “TBT Histórico” com foco em Dom Pedro II aborda o ritual simbólico da morte do segundo imperador do Brasil e a posterior mitificação do personagem como elemento unificador da nação. Produzido pelo Departamento de Acervo Técnico e Ações Culturais da Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro), o material, disponibilizado no Instagram museumarianoprocopio e no Facebook museu.marianoprocopio, indica dois artigos publicados na “Revista Trama: arte, cultura e criatividade” e um episódio da websérie “A Peça da Semana”.
No primeiro texto, assinado pela historiadora Priscila Pinheiro, são analisadas as repercussões da morte de D. Pedro II, há 130 anos. Banido do território brasileiro, o imperador morreu no dia 5 de dezembro de 1891, no Hotel Bedford, em Paris, em decorrência de uma pneumonia aguda. “A morte teve grande repercussão no Brasil e no mundo: milhares de telegramas e centenas de coroas de flores foram enviados ao hotel. A imprensa estrangeira publicou artigos elogiosos à sua figura. No Brasil, apesar do silêncio do regime republicano, casas comerciais fecharam as portas, sinos anunciaram seu passamento, tarjas pretas se fizeram presentes nas roupas, bandeiras foram hasteadas a meio pau, missas realizadas e necrológios publicados.”
Priscila conta que o Arquivo Histórico do Museu Mariano Procópio possui alguns exemplares do convite para as exéquias de D. Pedro II, que aconteceram na igreja de Madeleine, em Paris. Escrito em francês, o convite, também destacado na série “A Peça da Semana”, possui as armas imperiais e uma margem preta, em referência ao luto. Impresso pela Maison Henri de Borniol, casa funerária ativa ainda hoje, apresenta D. Pedro como “Sua Majestade O Imperador do Brasil”.
No segundo artigo, o historiador Sérgio Vicente, aborda o ataque aos símbolos da monarquia durante a Proclamação e o início da Primeira República. Ele cita o retrato de D. Pedro II, de autoria do artista Joaquim da Rocha Fragoso, que sofreu um tiro no contexto do “15 de novembro”. Conforme afirma Sérgio, a pintura foi restaurada sem ocultação completa das “cicatrizes” dos ataques sofridos, que foram consideradas vestígios históricos da maior importância para a discussão das disputas simbólicas travadas por grupos divergentes no final do século XIX. “Em outras palavras, foi esta uma forma de respeitar a história do objeto no contexto museal.”
O artigo também cita a expansão de um movimento conciliador e pacificador por parte de diversos segmentos políticos, apresentando como exemplo disso uma charge divulgada na capa da revista “O Malho”, em 2 de dezembro de 1905, aniversário do imperador já falecido. A publicação integra o acervo da hemeroteca do Museu Mariano Procópio.
Parte de um grupo de periódicos humorísticos que circulavam pelo Rio de Janeiro, então capital do país, nos anos iniciais do século XX, “O Malho” enaltecia aspectos da implantação de projetos modernizadores pelas autoridades republicanas, ao mesmo tempo em que explicitava mazelas políticas e sociais, frustrações com o novo regime e ambíguas relações com os monarquistas.
Confira os links indicados:
- Artigo “Republicanos e monarquistas: conflitos e conciliações”, publicado em 2021
- Artigo “Viva o rei morto”, publicado na Revista Trama: arte, cultura e criatividade, em 2021