

Quase 15 dias após a substituição do SUSfácil pelo novo sistema de regulação em saúde implantado pelo Governo de Minas Gerais, a Prefeitura de Juiz de Fora volta a manifestar preocupação com os impactos da mudança. Para o Executivo Municipal, as dificuldades observadas desde a implantação da Central de Operações para Regulação Estadual (CORE) reforçam os questionamentos apresentados por diversos municípios mineiros durante o processo de transição, impactando negativamente o atendimento em saúde prestado à população.
Até o presente momento, 672 pacientes de outros municípios acabaram sendo atendidos em hospitais e unidades de saúde de Juiz de Fora, 93 deles no Hospital de Pronto Socorro (HPS). Ao menos 67 deles são casos de pessoas do estado do Rio de Janeiro, além de cinco de pessoas do Estado de São Paulo, oriundos de cidades como Guaratinguetá e Pindamonhangaba.
Segundo a Secretaria de Saúde de Juiz de Fora, os problemas começam no próprio gerenciamento das informações dos pacientes. De acordo com a pasta, a nova plataforma não permite a anexação de documentos, como exames, ao histórico dos usuários. Além disso, o sistema ampliou a quantidade de etapas manuais necessárias para o cadastramento e a atualização de dados, exigindo, em alguns casos, a inserção repetida das mesmas informações.
A gestão da nova plataforma também é alvo de questionamentos por parte da Secretaria de Saúde. Segundo a pasta, não há uniformidade nos critérios que definem os perfis com acesso ao sistema, com baixa rastreabilidade dos registros, o que compromete etapas do processo de regulação.
Até o momento, a experiência observada pelo município aponta para o acúmulo progressivo de solicitações e para dificuldades no acompanhamento dos critérios de priorização dos pacientes. De acordo com a Secretaria, esse cenário prejudica a consolidação da fila de usuários que aguardam atendimento e dificulta o monitoramento da disponibilidade e da utilização dos recursos assistenciais.
De acordo com a Secretaria de Saúde, os problemas identificados desde a implantação do CORE têm refletido diretamente no atendimento aos usuários. A pasta relata maior lentidão nos fluxos regulatórios, demora na disponibilização de leitos e falhas no encaminhamento de pacientes.
O caso mais recente foi registrado no domingo, 7, quando um paciente de Carangola, município localizado a cerca de 243 quilômetros de Juiz de Fora, foi encaminhado ao Hospital João Penido sem passar pelo processo padrão de regulação.
A Secretaria de Saúde ainda alerta para dificuldades no campo da fiscalização e de prestação de contas. O novo sistema dificulta a realização de processos de auditoria de fluxos e de decisões regulatórias, além de possuir baixa capacidade de geração de indicadores gerenciais, essenciais para processos de avaliação e melhoria da gestão em regulação.
A expectativa da Secretaria é que os reflexos dessas dificuldades se tornem mais evidentes nos próximos dias, especialmente diante da possibilidade de aumento da judicialização de demandas relacionadas à regulação, bem como da ampliação do tempo de espera por leitos e procedimentos.
A Prefeitura de Juiz de Fora reafirma a solicitação ao Governo de Minas Gerais para que reavalie a implantação do novo sistema e repactue, junto aos municípios mineiros, o processo de regulação em saúde. Paralelamente, o Município informa que mantém diálogo com o Ministério Público e com o Poder Judiciário na busca por soluções consensuais para o tema.