

A Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular (Sedupp), em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), realizou as oficinas Cidade Mulher, com o objetivo de ouvir mulheres e meninas sobre segurança, mobilidade, cuidado e uso dos espaços públicos em cinco territórios da região de Nova Era, na Zona Norte. Os resultados serão sistematizados em um diagnóstico de segurança urbana e em um caderno metodológico sobre a experiência de planejamento participativo em escala de bairro.
As oficinas aconteceram entre março e agosto, com atividades nos territórios de Nova Era I, Nova Era II, Jardim Santa Isabel, Santa Lúcia e Jardim dos Alfineiros, e contaram com 78 participantes. Durante o processo, foram utilizados diferentes equipamentos públicos, além de realizadas visitas de campo para observar os pontos identificados pelas participantes e encaminhar demandas de zeladoria. A proposta foi compreender como as características do território influenciam a segurança, a autonomia, a mobilidade e o acesso das mulheres e meninas aos espaços públicos, incorporando suas experiências ao processo de planejamento urbano.
Para a secretária de Desenvolvimento Urbano com Participação Popular, Cidinha Louzada, o projeto é importante para a construção de uma cidade mais segura para as mulheres. “É importante falar sobre a escolha desse território. A Zona Norte, pelas estatísticas, concentra um número significativo de casos de violência contra as mulheres, o que é triste e, ao mesmo tempo, nos chama a atenção. O Cidade Mulher nos permite escutar mulheres de diferentes idades, entender o que elas vivenciam e identificar como essas violências aparecem no território. A partir desse conhecimento, podemos pensar em políticas públicas que tornem a cidade mais segura para as mulheres, olhando para toda a jornada: desde o momento em que elas entram no ônibus até a iluminação das ruas, os escadões e os demais espaços por onde circulam", explicou.
A importância das atividades
A primeira ação foi realizada na Escola Municipal Cecília Meireles, com foco nas mães dos estudantes, incluindo mães atípicas, as mães de crianças cujo desenvolvimento motor, cognitivo, emocional, social ou neurológico foge do padrão estatístico esperado para a sua idade
Nesse encontro, foi possível identificar trajetos realizados para levar e buscar crianças na escola, acompanhar pessoas à Unidade Básica de Saúde (UBS), ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e à farmácia, além dos deslocamentos de ônibus necessários para cumprir essas atividades. A ferramenta ajudou a revelar como as responsabilidades de cuidado também organizam a mobilidade das mulheres e influenciam a forma como elas utilizam e se deslocam pela cidade.
Na UBS Nova Era, participaram mulheres que realizam atividades de educação física, incluindo algumas pessoas com mobilidade reduzida. Já com as Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), profissionais que acompanham famílias diretamente nos bairros e percorrem diariamente o território, foi realizada uma caminhada exploratória pelos trajetos utilizados no trabalho.
O processo permitiu identificar problemas como escadões, ruas mal iluminadas e outros pontos percebidos como inseguros ou que dificultam a circulação. A atividade contribuiu para compreender questões cotidianas enfrentadas pelas participantes, considerando que quem percorre diariamente os caminhos de um bairro possui conhecimento direto sobre as condições do território.
Também foram ouvidas adolescentes de 13 a 15 anos, em oficina realizada na Escola Municipal Professora Thereza Falci, e realizada uma atividade específica, adaptada para mulheres idosas que participam das atividades de convivência da Associação de Apoio a Crianças e Idosos (AACI). Além das oficinas, foram realizadas visitas de campo aos pontos identificados pelas participantes, permitindo observar diretamente as condições dos locais e encaminhar demandas relacionadas à zeladoria urbana. A etapa permitiu visualizar os aspectos apontados durante as oficinas e contribuir para a compreensão das demandas e a busca por melhorias.
Com o fim das oficinas, a próxima etapa será a sistematização dos relatos, mapas, caminhos do cuidado, caminhadas exploratórias, observações e recomendações produzidas durante o processo. O diagnóstico deverá identificar aspectos do território que interferem na segurança, na autonomia e no acesso das mulheres aos espaços públicos e orientar recomendações a partir das características e dos desafios identificados. A proposta é que as experiências de quem vive e circula pelo bairro sejam incorporadas ao planejamento, transformando o conhecimento cotidiano em informação para a tomada de decisão.
A coordenadora de programas do ONU-Habitat, Natália Oliveira, ressalta a importância de aproximar quem vive a cidade e quem a planeja. “É justamente essa conexão entre a experiência de quem vive o território e o planejamento urbano que orienta o trabalho do ONU-Habitat. O diagnóstico vai sistematizar as percepções de mulheres e meninas, articulando essas informações à leitura do território para produzir evidências e recomendações que possam apoiar o município nas decisões de planejamento urbano”, afirma.
Tecendo a Cidade: Planejando com Viés Participativo
O “Tecendo a Cidade” integra as ações de cooperação entre a Prefeitura de Juiz de Fora e o ONU-Habitat voltadas ao fortalecimento do planejamento urbano sustentável, à promoção da participação social e à construção de cidades mais inclusivas, seguras e resilientes.
As ações da iniciativa contribuem para a implementação local da Agenda 2030 e da Nova Agenda Urbana, com destaque para os ODS 5, de Igualdade de Gênero, e 11, de Cidades e Comunidades Sustentáveis.