

O Teatro Paschoal Carlos Magno recebe nesta quinta-feira, 15, e sexta-feira, 16, às 20h, a estreia de “Memento mori”, novo espetáculo da Trupe Qualquer. Com duração de 70 minutos e classificação indicativa de 14 anos, a montagem combina comédia dramática, sátira social, teatro épico e referências da literatura clássica para abordar questões como a sobrecarga de trabalho, a precarização da vida e o direito à memória.
Os ingressos custam R$ 40 para inteira e R$ 20 para meia-entrada. Para ampliar o acesso do público, trabalhadores e trabalhadoras que apresentarem a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CLT) têm entrada gratuita, enquanto profissionais da educação pagam R$ 10 pelo ingresso.
Sobre a peça
A estreia acontece em meio às discussões sobre as jornadas de trabalho e a vitória do fim da escala 6x1. Na peça, a interrupção das atividades profissionais surge como um gesto de resistência diante de uma rotina que transforma o tempo de vida em metas e produtividade.
A trama acompanha Cláudia, uma corretora de imóveis que, após dias de sobrecarga e esgotamento, sofre um acidente de moto em frente ao muro de um cemitério. Ao recobrar a consciência, ela rompe com sua identidade anterior, passa a se chamar Ofélia e inicia uma peregrinação pelas ruas da cidade, convocando trabalhadores a interromperem suas funções sob o lema latino “memento mori”, que significa “lembra-te de que vais morrer”.
Em sua caminhada, Ofélia encontra Santos, um açougueiro habituado a atender às ordens alheias, e Orfeu, um coveiro acostumado à invisibilidade social de sua profissão. A aliança entre os três desencadeia paralisações populares no transporte público e provoca reações do mercado, de autoridades religiosas e de programas policiais de televisão. A partir dessa situação, o espetáculo questiona as estruturas de poder e a naturalização de uma rotina em que o trabalho ocupa cada vez mais espaço na vida.
Cervantes e Shakespeare
O título remete a uma tradição presente na literatura, nas artes e no teatro há séculos. A expressão “memento mori” funciona como um lembrete da finitude humana e convida à reflexão sobre a vaidade, o poder e as ilusões de permanência. Na montagem, essa ideia também se relaciona à própria experiência teatral: uma arte que acontece ao vivo, no presente, e cuja existência se transforma quando a apresentação chega ao fim.
A dramaturgia articula referências a Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, e Hamlet, de William Shakespeare. Da obra de Cervantes, a peça incorpora o sonho impossível e a recusa da mediocridade do mundo. Já a figura de Ofélia, personagem da tragédia shakespeariana, é retomada como símbolo de uma lucidez que confronta as engrenagens do poder e pode ser interpretada como loucura por aqueles que as sustentam.
Acúmulo de prêmios
Antes de chegar à versão integral, com sete atores em cena, “Memento mori” conquistou o terceiro lugar e prêmios de destaque no 1º Festival de Cenas Curtas da APAC, além de integrar a Mostra Insubmissa do Festival de Curitiba. Terceiro espetáculo da Trupe Qualquer, Memento Mori dá continuidade à pesquisa da companhia, que aproxima referências clássicas da dramaturgia autoral contemporânea. A montagem sucede o infantil “Café com leite”, indicado ao Prêmio CBTIJ nas categorias de Melhor Trilha Sonora e Melhor Elenco, e “Um homem célebre”, criado a partir da obra de Machado de Assis.
Com texto e direção de Rafael Coutinho, o espetáculo tem no elenco Lisandra Dantas, Thiago Andrade, Victor Araújo, Tainá Varandas, Beatriz Lira, Jeann Cavallari e Rafael Coutinho. A trilha sonora original é assinada por Jeann Cavallari; a iluminação, por Rafael Coutinho; a cenografia, por Christiam Concolato; o figurino, por Victor Araújo; e o visagismo, por Giovanna Stehling. A produção é da própria Trupe Qualquer.