

Palco de mais uma edição do projeto “Caminhando pela História”, da Secretaria de Turismo (Setur) da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), o Cemitério da Glória recebeu, nesta terça-feira, 1º, a visita de 30 pessoas interessadas em conhecer mais sobre a história da imigração na cidade. O guiamento foi conduzido pelo professor e historiador Max Mendes Lira, que apresentou ao grupo aspectos da trajetória dos imigrantes alemães, austríacos e italianos que contribuíram para a formação e o desenvolvimento de Juiz de Fora.
Datado de 1856, o Cemitério da Glória foi o primeiro de Juiz de Fora, em terreno cedido por Mariano Procópio durante a liquidação da Companhia União e Indústria. O espaço é dividido em duas áreas: uma católica e outra luterana, e reúne túmulos e mausoléus que ajudam a preservar parte da história das comunidades que se estabeleceram na cidade.
De acordo com Max Mendes Lira, Juiz de Fora recebeu a primeira imigração tirolesa para o Brasil. Os tiroleses são originários da região histórica do Tirol, área montanhosa da Europa Central localizada entre a Áustria e a Itália. O professor explicou que o Cemitério da Glória guarda registros da presença de imigrantes alemães e austríacos que chegaram à cidade no século XIX para trabalhar na construção da Estrada União e Indústria, além de atuarem na indústria e na agricultura.
O espaço também reúne túmulos de integrantes da colônia italiana, entre eles o de Constantino Paleta, advogado, jornalista e político nascido em Juiz de Fora. Ele exerceu o mandato de deputado federal constituinte por Minas Gerais em 1891 e foi deputado federal entre 1891 e 1893.
Durante a visita, o grupo percorreu as áreas católica e protestante do cemitério. Também foi autorizada, excepcionalmente, a entrada no cemitério dos padres, espaço fechado ao público onde estão sepultados diversos religiosos que atuaram em Juiz de Fora, incluindo padres e irmãos de congregações holandesas e de outras cidades. Por possuir um cemitério conventual, o local mantém acesso restrito.
O secretário de Turismo, Eduardo Crochet, destacou o potencial do turismo cemiterial como forma de conhecer a cultura, as tradições e a história das comunidades que contribuíram para a formação da cidade. Segundo ele, a atividade também se insere na proposta de turismo de experiência, ao proporcionar aos participantes um contato direto com a história de Juiz de Fora, dos imigrantes e de famílias que tiveram papel relevante na construção e no desenvolvimento do município.
Natural do Acre e morando em Juiz de Fora desde 2013, Rosa de Souza participou da visita acompanhada da filha, Sara Lima, também acreana. Ela ficou impressionada com a diversidade de informações apresentadas durante o percurso e com os mausoléus e túmulos de famílias importantes para a história local, como Krambeck e Kelmer, além do túmulo de Constantino Paleta.
Já Maria Helena de Souza, nascida em Volta Redonda e moradora de Juiz de Fora, elogiou a iniciativa da Setur. Ela contou que já participou de uma visita noturna a um cemitério em São Paulo e destacou a riqueza cultural e histórica do Cemitério da Glória. Para ela, esse patrimônio deve ser cada vez mais conhecido e valorizado pela comunidade.